Perante a crescente utilização de inteligência artificial (IA) generativa na área da tradução de audiovisuais, que também se começa a verificar em Portugal associada a preços muito baixos, e em várias outras áreas criativas, a ATAV decidiu assumir uma posição relativamente a este tema. Essa posição está em linha com a posição assumida pela AVTE no seu Comunicado sobre a Inteligência Artificial Generativa, que aconselhamos fortemente os nossos associados e as nossas associadas a ler na íntegra. Poderão encontrar a versão original em inglês no site da AVTE e uma versão traduzida para português aqui.
Subscrevemos este comunicado por entendermos que aborda o problema do uso da IA generativa em TAV com profundidade e seriedade, embora reconheçamos que o tema, por força da velocidade a que esta tecnologia se está a desenvolver, merece uma reflexão contínua, que poderá inclusive vir a traduzir-se na reconsideração de posições inicialmente assumidas.
Enquanto associação cujo objetivo é valorizar as condições de trabalho dos tradutores de audiovisuais e a profissão de tradutor de audiovisuais, condenamos quaisquer práticas que afetem negativamente essas condições de trabalho e a profissão. Tal como a AVTE, não somos contra novas tecnologias, desde que beneficiem os tradutores, facilitando o seu trabalho sem comprometer a qualidade do mesmo, bem como os consumidores de conteúdo audiovisual. Opomo-nos, no entanto, ao uso pouco ético dessas tecnologias por parte de empresas de tradução e produtoras de conteúdo e ao roubo de trabalho humano que deve estar protegido enquanto propriedade intelectual. Recusamo-nos a aceitar que a IA generativa seja usada para substituir os tradutores humanos e a criatividade humana, e repudiamos a tentativa por parte de algumas empresas de reduzir os tradutores de audiovisuais à condição de meros pós-editores com o intuito de reduzir ainda mais a sua remuneração, sacrificando a qualidade das traduções e o prestígio da profissão.