Como se tornar tradutor (de audiovisuais)?

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A maioria dos contactos que chegam à ATAV são de pessoas que, por uma razão ou por outra, querem enveredar pelo mundo da tradução ou da tradução de audiovisuais (TAV), especificamente. O nosso papel passa por informar futuros tradutores e esclarecer dúvidas que tenham sobre como seguir esta carreira. Neste artigo, iremos abordar as ideias preconcebidas de muitos e sugerir passos a tomar para se tornar tradutor.

Fazer traduções vs Ser tradutor

Antes de mais, é importante esclarecer que a tradução não é um passatempo ou “algo que se faz para se ganhar uns trocos”. Se a sua ideia é arranjar um complemento à sua profissão que seja fácil, aconselhamos que procure outra área. Um tradutor é um profissional que se dedica à área linguística, complementando-a com outros conhecimentos, que são a sua especialização. Por exemplo, os tradutores de audiovisuais, que podem encontrar um leque vasto de áreas num só trabalho, são especialistas na área audiovisual. Isso não significa que “vemos muitos filmes”, mas sim que dominamos a linguagem fílmica e aperfeiçoamos durante anos a melhor forma de fazer o nosso trabalho, seja a legendar, a traduzir para dobragem ou a criar um texto de audiodescrição. Para sermos bons profissionais, temos de nos manter a par das novidades e tecnologias, o que implica um estudo permanente e uma dedicação total.

Formação

É preciso ter formação em tradução ou no ramo de tradução de audiovisuais que nos interessa? A resposta não é simples. Até há poucos anos, não havia formação específica em tradução, inclusive nas universidades. Por esta razão, muitos tradutores, inclusive bons tradutores, não têm um curso em tradução. Porém, há mais de dez anos que há licenciaturas e mestrados nesta área. Se quer ser tradutor, o melhor será aproveitar a oportunidade que muitos não tiveram no seu tempo e estudar tradução numa das várias instituições de ensino superior do país e do mundo. Poderá pensar: “Se uns não tiveram formação, não deve ser necessária.” Mas não é bem assim… Traduzir não passa só por pegar numa palavra e pô-la noutra língua. É preciso ter em conta o público-alvo, as subtilezas linguísticas de cada língua, as várias técnicas e tecnologias usadas no processo da tradução e muito mais. Muitos tradutores que não tiveram formação adquiriram estes conhecimentos ao longo dos anos, com a experiência e o aconselhamento de outros. Hoje em dia, o caminho mais fácil para os adquirir passa por uma formação em tradução, onde podemos estudar tanto a prática como a teoria, ambas essenciais para que nos tornemos bons tradutores.

Quanto à formação em tradução de audiovisuais, existem também cursos nacionais e internacionais em cada ramo. Não será impossível ser autodidata, mas será muito mais difícil e dependerá muito mais dos materiais de estudo (nomeadamente, livros sobre cada ramo). É ainda importante acrescentar que não basta ser tradutor para singrar na TAV. Este ramo tem várias particularidades únicas em toda a área que exigem conhecimentos específicos. Tal como há diferenças entre tradução e interpretação, também as há entre tradução e tradução de audiovisuais.

Línguas

Um dos maiores erros que se pode cometer quando se pensa em tradução é acreditar que basta saber outra língua que não a materna para se poder ser tradutor. No entanto, a língua que se deve dominar acima de tudo é a nossa própria língua. Um tradutor é um linguista que se preocupa com a diferença entre “ter de” e “ter que” ou “rápido” e “depressa”. Além da língua, é ainda fulcral dominar a cultura de partida e a de chegada. A língua e a cultura andam de mãos dadas, sobretudo no que toca à tradução. A tradução nunca é só um processo de encontrar equivalentes de palavras, mas sim perceber qual o significado delas no contexto e manter esse mesmo significado na tradução.

Em suma:

Quer traduzir para ganhar um extra? Melhor encontrar uma atividade menos exigente…

Quer seguir a tradução enquanto carreira? Faça formação, estude, informe-se, dedique-se, associe-se.

Precisa de aconselhamento? Estamos disponíveis para ajudar futuros (e atuais) tradutores de audiovisuais.


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